Felicidade, de Luiz Vilela: O homem como vítima de suas criações culturais
O conto Felicidade, de Luiz Vilela, aponta a problemática vivenciada em nossos dias: o personagem precisa fingir uma aparência de felicidade para sustentar as relações que atraiu para si mesmo, sobrepondo a perspectiva do outro sobre seus próprios conceitos de felicidade. Por conveniência, então ostenta sorrisos sem graça ao ser surpreendido com uma festa de aniversário surpresa que sua mulher organiza em sua homenagem. Sucumbindo seus reais interesses para aquela noite, apenas consegue sentir um pouco de felicidade quando, trancado em seu banheiro, consegue ficar sozinho e assim revela sua real necessidade e desejo. Assim, vamos perceber que o conceito de felicidade do personagem nada tem a ver com o estereótipo criado culturalmente em torno dela, e mesmo assim ele se esforça para sustentar uma aparência, na necessidade do pertencimento, do sentir-se enquadrado com o grupo social ao qual pertence. Deste modo, o trabalho tratará de analisar a perspectiva do eu e do outro em relação à sua satisfação, bem como a necessidade de enquadramento às normas estabelecidas pela sociedade, avaliando a busca contínua pelo estado de felicidade. Para a consecução desta análise, o trabalho fundamenta-se nas considerações teóricas de Freud (1974).
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